Domingo, Fevereiro 05, 2006

As Origens e o Brasil



Longkamp

Longkamp é um povoado que foi citado pela primeira vez num documento no ano de 1030. O nome tem origem na expressão latina "longus campus" que significa "campo comprido".


Situa-se no Hunsrück, região (Landkreis) Bernkastel-Wittlich, no Estado de Renânia-Palatinado (Rheinland-Pfalz), próximo ao Rio Mosela, no oeste da Alemanha. Numa altitude de 410 m acima do nível do mar, possui uma área territorial de 11,50 km2, com uma população atual (2006) de 1.186 habitantes.

Johann Wilbert nasceu em Longkamp em 1798. Em outubro de 1846, embarcou em Dunquerque, na França, com destino ao Brasil. Chegou ao porto de Desterro (hoje Florianópolis) a bordo do Bergantim Vênus, em 28 de dezembro de 1846, depois de uma escala no Rio de Janeiro. Era lavrador, viúvo e emigrou com seus quatro filhos: Nikolaus (*1826 +30/05/1894), Anna Maria (*19/10/1828), Maria (*16/05/1830) e Johann (*1832). Este faleceu no dia 29 de dezembro de 1846, aos quatorze anos de idade, em Florianópolis, antes de chegar à colônia.

Vieram com ele também, Pedro Jochem, com 26 anos e Margaretha (não cita o sobrenome), com 44 anos de idade, ambos parentes seus.


Localização de Löfferscheidt e São Pedro de Alcântara

Recebeu um lote num local denominado Cova da Canela em Löffelscheidt (1), colônia Santa Isabel, em 1847 e hoje Águas Mornas - SC. Eram seus vizinhos Pedro Jochem, Jacob Weber, Jacob Eberhard e João Loffi.


Sepultura no cemitério de Löffelscheidt

(Nova) Löffelscheidt


Johann foi casado com Apollonia Schettgen Zimmer, nascida em 16 de maio de 1803, em Longkamp.

Seu filho Nikolaus casou-se com Maria Catarina Wild (*25/07/1831 +26/01/1895). Tiveram os seguintes filhos:

- Anna Maria (*07/08/1854) casou-se com Matias Hermes (*21/11/1849);
- José (*25/12/1856) casou-se em primeiras núpcias com Catarina Schweitzer (*23/09/1860 +10/08/1880). Em segundas núpcias com Catarina Junkes (*24/03/1863 +01/09/1921).
- Nicolau (*1859) casou-se com Catarina Junklaus (*07/07/1861 +31/10/1882).
- Pedro (*1862 +06/01/1920) casou-se em 26/07/1888, com Cristina Berns (*1861 +20/05/1942), filha de Matthias Berns e Elisabetha Helena Voigt. Deste casamento nasceu Roberto.
- Matias (*1862), casou-se com Celestina Behrens (*1862).

(1) Löffelscheidt é também o nome de uma localidade no Hunsrück.

Pedro Wilbert


Pedro, neto de Johann Wilbert, por ser carpinteiro, tinha um grande campo de trabalho em toda a colônia.

Cristina Berns

Cristina, sua mulher, era ativa e de temperamento forte - somente falava hoch’deutsch (alto alemão) - que procurava controlar toda a família, inclusive os netos. Uma filha foi mandada estudar num colégio de freiras em Florianópolis e Roberto teve um professor particular que o introduziu nas ciências exatas e humanas.

Depois da morte do marido foi convidada a trabalhar na Casa Paroquial, onde organizou e coordenou o trabalho de alojamento e alimentação dos trabalhadores da construção da Igreja matriz de São Pedro de Alcântara. Faleceu em 20 de maio de 1952, aos 82 anos de idade.

Roberto Vilpert e Maria Madalena Schveitzer


Bodas de Prata

Roberto nasceu em São Pedro de Alcântara e casou-se com Maria Madalena Schveitzer, nascida em 04 de abril de 1893, filha de Henrique Schweitzer e de Maria Madalena Knies. Foram morar na Alta Varginha no mesmo município.

Roberto teve uma boa formação intelectual e religiosa. Em casa, uma pequena biblioteca supria-lhe as necessidades básicas.

Apesar disso, teve que enfrentar a dura realidade da família e da colônia: plantar cana, fabricar açúcar grosso e, dependendo do preço, um pouco de cachaça. Mas nas faltas ou impedimentos da professora da Escola da Alta Varginha, voluntariamente ele a substituía, sem perceber qualquer forma de remuneração.

Roberto e Maria Madalena tiveram os seguintes filhos: José (Joseph), Antônio (Anton), Inácio (Ignas), Clemente (Clemens), Joana (Johanna), Anastácia (Tácia), Maria, Filomena (Mena), Lucas e Raimundo (Raimund).

Ele faleceu no dia 06 de novembro de 1939, aos 50 anos de idade.

Maria Madalena Schveitzer



Dedicou-se aos filhos em meio a extremas dificuldades, pois as terras com pouco fertilidade, quase não supriam as necessidades básicas da família. No final da década de 1940, a família vendeu a propriedade e mudou-se para Anitápolis-SC.

Depois dos filhos encaminhados, foi morar com a família de Pedro e Anastácia. De uma saúde frágil, cultuava o prazer da releitura de livros e almanaques alemães que acompanhavam a família.

Faleceu em 15 de março de 1990, com quase 97 anos, na casa onde morara nos últimos trinta anos.

Maria Madalena comemorando seus noventa anos (1983) com filhos genros e noras. Da esquerda para a direita: Lucas, Antônio e Maria da Glória, Anastácia e Pedro Pitz, Maria e Júlio Pitz, Maria Madalena, Filomena, Clemente e Adelina, José.


Maria Madalena, com os bisnetos Rodrigo e Andréia, comemorando 96 anos